O pesadelo começa no momento da
interacção.
A qualidade do pão brasileiro é
subejamente conhecida [de onde vem aquela
ideia de que os portugueses eram padeiros? Quem ficou com essa receita nesta
cidade maravilhosa?]... Mas, ao chegar ao balcão da padaria fico encantada
com as 5 variedades de pães de sementes, outras tantas de pães de quilo e vários
modelitos de baguetes.
- “Bom dia! [Os meus olhos brilham] Quero por favor pão multigrano”
[depois da habitual disputa “Oi?
Qué qui você dxissi??” “pão-quê” “ah tá”]
- “Ah não... o pão não é de hoje,
não... está duro..”
- “Está duro? Então quando vai
ter pão mole? A que horas posso voltar?”
- “Só quando este pão for todo
vendido. Ontem não teve, hoje também não e amanha também não vai ter.”
[imagino que com a sinceridade da padeira, nem daqui por 15 dias vamos
ter pão novo]
- “Embrulhe-me entao 6
pães-francês” [este tenho a certeza que é
diário, e que se lixe o inchaço que causa na barriga..]
A minha interlocutora vira-se
para uma colega, esquece-se que eu estou ali na frente delas, ou imagina que
sou surda, e diz: - “Entendo nada qui ela fala não... viiiici.”


